Atualmente o desânimo econômico está contagiando grande parte da população. As pessoas estão reticentes para novos investimentos e muitos buscam se desfazer de suas aquisições a qualquer custo. Brota novamente o desespero psicológico pertinente em tempos de crise, o que é historicamente comprovado. Entretanto, diferente de outros momentos, é clara a percepção que a população anda mais impaciente pela espera de novos tempos, e para esse sentimento existe uma resposta clara: falta de lembrança ou desconhecimento.
Há alguns anos a economia brasileira não enfrentava um período de “tempestade perfeita”, cuja formação é proveniente de viés político e econômico. Exemplificando, desde 1980 passamos por ciclos de fraco crescimento entre eles:
Década de 1980 – a década perdida.
Referência à estagnação econômica vivida pelo Brasil durante o período, quando se verificou uma forte retração industrial e fraco crescimento econômico.
1990 a 1992 – Plano Collor
O plano Collor foi instituído em 16 de Março de 1990 e combinava liberação fiscal e financeira com medidas radicais para estabilização da inflação.
1994 – Crise do México
A manutenção da estabilidade cambial foi obtida mediante introdução do sistema de bandas e a prática de correções ou ajustes dentro da banda, de maneira a compensar parte da perda inflacionária e a valorização de fato pela qual passou o Real a partir de sua introdução em 1994.
1997 – Crise asiática
Para evitar o alastramento da crise, o Brasil elevou os juros e adotou medidas com impacto fiscal. Os juros continuaram a ser diminuídos na sequência da crise, mas tiveram de ser novamente aumentados após o calote russo.
1998 – Crise russa
No Brasil o impacto foi crítico: o País teve de implementar um ajuste fiscal, colocando-o em vigor paralelamente ao fechamento de um acordo de novo tipo com o FMI e as autoridades financeiras do G-7.
1999 – Desvalorização do Real
A desvalorização forçada da moeda brasileira, no início de 1999, provocou uma alteração no regime cambial adotado, passando para o regime de taxas flutuantes e, mais importante, obrigou o Estado a adotar medidas de ajuste há tanto adiadas em virtude dos elevados ônus político e social e que tinham sua necessidade clara desde a crise de 1997.
2001 – Crise Argentina
Para o Brasil, a queda argentina combinada a problemas conjunturais crise energética, denúncias de corrupção política e a dificuldades de natureza estrutural, como a falta de competitividade, a despeito da desvalorização representou uma ameaça real ao equilíbrio, depois de anos de baixo crescimento e de correção de desequilíbrios fiscais.
2008 – Crise americana da Europa.
A marola brasileira. Período de baixo crescimento econômico porém bem menor do que a situação atual.
É fato que a última grande crise econômica do Brasil foi enfrentada há quase 15 anos. Tal período gera esquecimentos de como lidar com a crise, sem contar com o aparecimento da nova geração cuja vivência financeira se dá no período mais tranquilo dos últimos 35 anos.
Nota-se que na década de 1990, o País passou por momentos críticos que engessaram a economia e todos os mercados, entretanto saímos ilesos e entramos na década de 2000 mais firmes, experientes e fortes.
Porém, é natural que a falta de experiência e/ou existência leve uma parcela da sociedade a encarar a crise atual com padrões apocalípticos. Aqueles menos experientes ou mais sensíveis a momentos turbulentos germinam em si sentimentos de defesa e buscam, de forma ríspida, a fuga da crise, o que no caso do mercado imobiliário significa a venda a qualquer custo.
É inacreditável a quantidade de oportunidades que o mercado imobiliário apresenta. Movidos pela impaciência e desconhecimento histórico do significado da palavra “bolha”, diversos investidores estão se desfazendo de seus negócios imobiliários por preços inacreditáveis. Há anos, não vemos o mercado lotado de imóveis com preços convidativos.
Querem uma dica: comprem antes que percebam que a crise não passa de um ciclo histórico natural, onde os mais experientes e cautelosos se beneficiam, enquanto o impaciente põe a perder suas conquistas por preços extraordinários. Afinal, a única certeza que temos, e comprovadamente descrita em livros de história, é que toda crise um dia passa. Basta esperar.


