Entre as décadas de 1950 e 1960 em Santos/SP, construíram-se diversos empreendimentos na orla. Durante as construções, fundações curtas (menos de 10,00m de profundidade) foram usadas para sustentar edifícios em um terreno instável próximo ao mar. Posteriormente, através de estudo de solo, notou-se que em certos casos as fundações deveriam seguir até 50,00m de profundidade, onde se encontram fragmentos de rocha mais sólidos. Como resultado, muitos prédios se inclinaram adaptando-se às suas carências construtivas.
Segundo o levantamento da Secretaria de Infraestrutura e Edificações, a cidade apresenta 651 edificações “tortas”, sendo que 65 precisam de uma análise mais detalhada por terem uma inclinação entre 0,50m a 1,80m. No total as edificações representam 2.832 apartamentos com 16.590 pessoas, aproximadamente 3% da população da cidade. Por lei, os síndicos devem enviar à prefeitura todo ano a medição do desaprumo de seus edifícios.
Atualmente eles chamam a atenção de turistas e moradores, entretanto seus proprietários sofrem com a desvalorização. De acordo com dados da região, o preço dos apartamentos em um prédio inclinado chega a ser de 30% a 40% menor do que as construções em condições normais.
Uma das soluções para o problema é o uso de cilindros hidráulicos que trariam o prédio ao nível normal. O procedimento pode ser adotado junto com a execução de um reforço nas fundações por estacas, e a intervenção levaria em torno de 1 ano. Em contrapartida o realinhamentos custaria em torno de 15% a 20% do valor do imóvel. O dilema é que a maioria de seus moradores são aposentados, proprietários desde suas inaugurações, e não possuem recursos para um investimento tão significativo em curto prazo.

