Apesar de o Resumo Imobiliário ser um espaço dedicado exclusivamente ao debate e à aprendizagem imobiliária, peço licença aos meus leitores para expressar minha indignação quanto aos constantes aumentos tributários em nosso País.
Saber gerir é uma arte. Uma das premissas do bom gestor é alinhar a sua carga tributária num nível que não iniba o crescimento econômico, a supressão de unidades produtivas, a diminuição dos investimentos, bem como o aumento da sonegação e inadimplência.
O bom administrador precisa compor o bem estar de sua população através de sua capacidade de pagamento. Arrecadar é preciso, porém sufocar a disposição financeira é suicídio. De fato, não é segredo para ninguém que o Brasil possui a maior carga tributária do planeta. É muito dinheiro investido por todos nós nos cofres do governo.
Quando escutamos a possibilidade do aumento tributário, logo nos movimentamos. Ninguém aceita mais ser tributado por motivos rigorosamente levianos. Há de se ponderar a real necessidade do aumento de taxas.
Historicamente, a elevação de nossos impostos está relacionada a pedidos políticos de curto prazo: o governante se elege, solicita mais receita, taxa a população, e por fim, esvazia o caixa. Esse ciclo se repete há anos! A forma de gerir de nossos políticos é falha, e vive em torno do imediatismo de caixa: se existe dinheiro, se gasta; caso contrário, se tributa. E assim caminham as elevações de tributos brasileiros.
Entretanto, chega uma hora que a população pede cautela, análise, apreciação. Afinal, administrar é um método necessário de sobrevivência da máquina pública; ou seja, antes de se taxar, pense na existência de milhões de brasileiros aquartelados nas mazelas da sobrevivência.
O que me causa espécie, é que o tão falado princípio da transparência, invocado inúmeras vezes pelo governo para justificar o aumento da máquina pública, na verdade, nada tem de cristalino, a não ser que se limite o conteúdo desse princípio à revelação do montante gasto. Podemos até tomar ciência do valor gasto num certo período, mas jamais saberemos onde, quando e como foram gastos os nossos tributos. Não basta dar título a uma despesa, é necessário entendê-la e administrá-la da melhor forma possível para que não acarrete taxação exacerbada e coercitiva aos milhões de contribuintes desta cidade.
Em tempos de crise, todos esperamos ansiosos por um alívio financeiro, ou até mesmo um convite para a retomada do crescimento. Nada mais salutar do que incentivar a abertura de novas empresas e negócios. Aliás, o estímulo comercial aumentará sempre a arrecadação de ISS, e a abertura de novas iniciativas satélites. Um comércio gera sempre novos comércios, tais como estabelecimentos de alimentação, roupas, medicamentos entre outros. É um círculo de consumo que se forma na criação de novos empreendimentos. O dinheiro retorna ao mercado e a máquina começa a se movimentar novamente.
Qualquer aumento desconcertante de impostos em nossos estabelecimentos comerciais, bem como em nossas casas, atingirá a todos, sem exceção. Não é taxando muito que se arrecada. Historicamente, decisões tomadas com o mesmo caráter, resultaram no agravamento de suas recessões. Firmemente podemos afirmar que o imposto abusivo incentiva o aumento da inadimplência.
Não somos contra qualquer aumento ou reajuste de taxas, porém que se faça de forma inteligente, e muito bem pensada. Não é se “confiscando” que se aumenta a receita de um ente público. Infelizmente, a política feita em nosso País sempre foi tomada em decisões de curto prazo. Raramente se pensa no crescimento autossustentável e paulatino. Historicamente, as novas disposições visam alterar bruscamente um modelo para a implantação de um novo, sem pensar sequer nas avarias que poderão ser sofridas no futuro.


