As vendas andam em ritmo lento. Sabemos que diversos acontecimentos contribuíram para que chegássemos à situação atual. Mas gostaria de destacar 2 itens que literalmente marcarão o novo momento e traçarão um novo rumo imobiliário em curto prazo: o aumento da taxa SELIC e a restrição de crédito por parte das instituições financeiras.
Nas últimas semanas acompanhamos notícias que retrataram a fuga de bilhões de reais da caderneta de poupança. Com o aumento da taxa SELIC para 13,25%, a poupança deixou de ser atrativa, e os recursos que antes financiavam o SFH (Sistema Financeiro de Habitação) estão migrando para fundos de renda fixa, cujo rendimento será em torno de 1% ao mês nos próximos 30 dias. Diferente da poupança que ainda apresenta um reajuste tímido o qual gira em torno de 0,5% ao mês + TR (taxa referencial).
Em virtude da migração dos recursos financiadores do SFH, os bancos foram forçados a estipular regras severas de restrição ao crédito, como o aumento da taxa de juros e redução do percentual de financiamento. Poucas instituições ainda persistem com as condições antigas, porém é questão de tempo para que se adequem à nova situação.
Analisando a restrição creditícia atual, comparando os rendimentos oferecidos pelo mercado em virtude do reajuste da taxa SELIC, e perspectivas quanto a situação econômica do país, arrisco em dizer que entraremos numa nova era: a locação.
Acredito que nos próximos meses teremos um período mais acanhado para grandes investimentos. Um dos motivos é o bom rendimento obtido em fundos de renda fixa. Exemplificando, se o cliente mantiver o valor aplicado, conseguirá pagar o aluguel do imóvel a ainda sobrará reserva para nova aplicações. Não quero estipular parâmetros de investimento, mas pensando friamente o cliente terá essa visão. Pessoalmente acredito que o imóvel será sempre um porto seguro e a melhor aplicação para qualquer capital, mas a grande massa é movida por pensamentos midiáticos e cartesianos.
Outro motivo é o encarecimento do crédito. As taxas de juros subiram e comprar ficou bem mais caro. Nos próximos meses, e se a taxa SELIC persistir no presente patamar, haverá uma preferência natural por locação, visto também o exemplo supramencionado.
A diminuição do percentual de locação também contribuirá para o novo cenário. Para se comprar um imóvel será necessário dispor de mais capital para pagamento da entrada, que atualmente gira em torno de 50% a 20% do valor do imóvel.
O mercado imobiliário como qualquer outro negócio no país está apto a receber impactos externos e sofrer variações. Tudo o que está acontecendo é um período novo para todos nós. Ajustes acontecerão e muitas mudanças estão por vir. Precisamos nos adaptar à nova realidade e não julgar o mercado, ou insinuar que o mesmo quebrou. Isso não existe. O mercado imobiliário é grande e capaz de se ajustar em momentos difíceis. Basta pensarmos sempre em boas soluções e nunca nos escondermos das dificuldades. O aluguel é uma vertente do mercado imobiliário, por isso comece a ler um pouco mais sobre locação, estude mais sobre o tema, converse com amigos que já atuam no ramo. Não desista jamais, as oportunidades estão por aí, só temos que agarrá-la para torná-la a nossa realidade.



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